A cada segundo o ponteiro do conta-giro dá um salto e por um instante não existe nada além do ronco do motor. O coração pula uma batida, duas, três e logo só restam os ecos rebatendo nas minhas costelas. As curvas fechadas arrancam lascas de borracha dos pneus e por mais de uma vez o carro quase capota sobre os bem-cuidados canteiros de flores da rua, algumas das quais eu mesmo plantei. Ela também plantou algumas, marias-sem-vergonha e amores-perfeitos,e eu tenho que apreciar a ironia nisso.
E pensar que cinco minutos atrás tudo o que eu queria era chegar em casa,tirar os sapatos, abrir uma cerveja e só me sentar do lado dela. Jogar conversa fora falando sobre o preço do leite e a filha da vizinha. Isto me bastaria, aprendi que a felicidade é sempre mais completa quando vem com menos apetrechos e penduricalhos. E me lembrar que três minutos atrás eu abri a porta do quarto, acendeu as luzes só pra ver o que eu tinha imaginado centenas de vezes, sempre de brincadeira. E ainda assim, não consegui dar um sorriso na hora.
O meu quarto, a minha cama, o meu lençol e a minha mulher amarrada na porra da minha cabeceira com uma cara assustada, mas nem um pouco surpresa. Ela devia estar esperando por isso já a algum tempo. Deve ter ficado imaginando o que aconteceria quando o maridinho de 15 anos de casado ela abrisse a porta só pra ver a cena patética que assombra todos os homens.
Eu sabia o que ia fazer, ela sabia também e deve ter ficado imaginando a cena por todo esse tempo. Deve ter ficado imaginando o que eu faria com ela. Se o safado ainda estivesse com as calças abaixadas seria ele quem ficaria com alguns litros a menos de sangue. E ela, se safaria com alguns dentes na boca. Mas não, o filha da puta fez questão de abotoar as calças e me esperar com uma arma apontada para a porta. Cínico maldito.
Eu não senti as pernas, o meu pau dizia para arrancar o dele e dar de comer aos cães; as minhas bolas me diziam para não fazer movimentos bruscos. Então ele se levantou, sorriu para mim e levantou o lençol, sob o linho branco – presente de casamento – lá estava ela, branca, sem uma pinta sequer. Nua, pelada, comida e gozada.
Filhas da puta. Ele riu como se tivesse cinco anos e fosse Natal. Enquanto eu ainda admirava a minha querida esposa pelada ele se dirigiu para mim, arma em riste, bateu no meu ombro, pegou em minha mão, pôs a arma ali e se mandou porta afora, ainda rindo... O aço gelado devolveu às minhas pernas a força.
Ele se safou, mas a vadia ainda estava de pernas abertas na cama, esperando apavorada com o que eu faria com ela – e devia ficar mesmo.
Por longos minutos eu imaginei cinco balas fazendo buracos naquela pele de veludo. Marcas de cigarro de 0.38 milímetros naquela piranha era a coisa mais natural como punição. Não: a forma mais natural de equilibrar o universo. Isso era o que eu queria. Era o justo.
Eu andei os poucos passos até o lado dela da cama e apontei a arma. Ela chorava mas não se arriscava a dizer nada, sabia o preço pelo que tinha feito. Quinze anos de casamento que se fodam, basta um minuto de lucidez para apontar e atirar.
Com o cano grudado na sua testa eu só dei uma ordem: “Chupa, cadela. Foi a vadia dele, agora vai ser a minha, finalmente”.
Os dois olhos verdes se levantaram pedindo clemência, mas a boca rosada não ousou proferir palavra alguma. Eu abri o zíper e ela sabia que falava sério.
Enquanto ela fazia o que tinha que fazer, eu me lembrei de uma vida que eu perdi: casamento com vinte e dois anos, filhos aos vinte e cinco, hipoteca aos vinte e nove. Merda, ela sabe o que faz. Já estava quase gozando.
Incrível, quinze anos de casamento e acho que o melhor oral que ela me fez foi quando soube que a vida dela dependia disso. Maldita, como eu pude amar essa vaca?
O momento estava chegando, mais umas duas chupadas eu gozaria na cara dela. Enquanto a hora chegava, eu via flashs de imagens na minha cabeça, o primeiro beijo, o último presente de aniversário, a briga mais recente. E então ouvi só o tambor do revolver girando e senti o cheiro de pólvora no quarto.
Aquela linda cabecinha loira se dividia agora entre o sangue e o sêmen. E o meu coração dividido entre a saudade e o inevitável sentimento de que há justiça no mundo, mesmo que ela tenha que ser feita com os próprios membros.
Droga... Que bagunça que aquilo havia feito, o sangue morno em meu peito me deu calor. Dirigir por ai me pareceu uma boa idéia. E pensar que cinco minutos atrás eu abri a porta de casa com um buquê de rosas. Odeio gastar dinheiro por nada.
E pensar que cinco minutos atrás tudo o que eu queria era chegar em casa,tirar os sapatos, abrir uma cerveja e só me sentar do lado dela. Jogar conversa fora falando sobre o preço do leite e a filha da vizinha. Isto me bastaria, aprendi que a felicidade é sempre mais completa quando vem com menos apetrechos e penduricalhos. E me lembrar que três minutos atrás eu abri a porta do quarto, acendeu as luzes só pra ver o que eu tinha imaginado centenas de vezes, sempre de brincadeira. E ainda assim, não consegui dar um sorriso na hora.
O meu quarto, a minha cama, o meu lençol e a minha mulher amarrada na porra da minha cabeceira com uma cara assustada, mas nem um pouco surpresa. Ela devia estar esperando por isso já a algum tempo. Deve ter ficado imaginando o que aconteceria quando o maridinho de 15 anos de casado ela abrisse a porta só pra ver a cena patética que assombra todos os homens.
Eu sabia o que ia fazer, ela sabia também e deve ter ficado imaginando a cena por todo esse tempo. Deve ter ficado imaginando o que eu faria com ela. Se o safado ainda estivesse com as calças abaixadas seria ele quem ficaria com alguns litros a menos de sangue. E ela, se safaria com alguns dentes na boca. Mas não, o filha da puta fez questão de abotoar as calças e me esperar com uma arma apontada para a porta. Cínico maldito.
Eu não senti as pernas, o meu pau dizia para arrancar o dele e dar de comer aos cães; as minhas bolas me diziam para não fazer movimentos bruscos. Então ele se levantou, sorriu para mim e levantou o lençol, sob o linho branco – presente de casamento – lá estava ela, branca, sem uma pinta sequer. Nua, pelada, comida e gozada.
Filhas da puta. Ele riu como se tivesse cinco anos e fosse Natal. Enquanto eu ainda admirava a minha querida esposa pelada ele se dirigiu para mim, arma em riste, bateu no meu ombro, pegou em minha mão, pôs a arma ali e se mandou porta afora, ainda rindo... O aço gelado devolveu às minhas pernas a força.
Ele se safou, mas a vadia ainda estava de pernas abertas na cama, esperando apavorada com o que eu faria com ela – e devia ficar mesmo.
Por longos minutos eu imaginei cinco balas fazendo buracos naquela pele de veludo. Marcas de cigarro de 0.38 milímetros naquela piranha era a coisa mais natural como punição. Não: a forma mais natural de equilibrar o universo. Isso era o que eu queria. Era o justo.
Eu andei os poucos passos até o lado dela da cama e apontei a arma. Ela chorava mas não se arriscava a dizer nada, sabia o preço pelo que tinha feito. Quinze anos de casamento que se fodam, basta um minuto de lucidez para apontar e atirar.
Com o cano grudado na sua testa eu só dei uma ordem: “Chupa, cadela. Foi a vadia dele, agora vai ser a minha, finalmente”.
Os dois olhos verdes se levantaram pedindo clemência, mas a boca rosada não ousou proferir palavra alguma. Eu abri o zíper e ela sabia que falava sério.
Enquanto ela fazia o que tinha que fazer, eu me lembrei de uma vida que eu perdi: casamento com vinte e dois anos, filhos aos vinte e cinco, hipoteca aos vinte e nove. Merda, ela sabe o que faz. Já estava quase gozando.
Incrível, quinze anos de casamento e acho que o melhor oral que ela me fez foi quando soube que a vida dela dependia disso. Maldita, como eu pude amar essa vaca?
O momento estava chegando, mais umas duas chupadas eu gozaria na cara dela. Enquanto a hora chegava, eu via flashs de imagens na minha cabeça, o primeiro beijo, o último presente de aniversário, a briga mais recente. E então ouvi só o tambor do revolver girando e senti o cheiro de pólvora no quarto.
Aquela linda cabecinha loira se dividia agora entre o sangue e o sêmen. E o meu coração dividido entre a saudade e o inevitável sentimento de que há justiça no mundo, mesmo que ela tenha que ser feita com os próprios membros.
Droga... Que bagunça que aquilo havia feito, o sangue morno em meu peito me deu calor. Dirigir por ai me pareceu uma boa idéia. E pensar que cinco minutos atrás eu abri a porta de casa com um buquê de rosas. Odeio gastar dinheiro por nada.
